A falta de conhecimento não é o maior problema ou a causa determinante que classifica um ser humano como "ignorante". Conheço pessoas que pouco frequentaram as cadeiras das salas de aula ou mesmo nunca foram à escola, mas possuem habilidades tremendas que fazem delas pessoas especiais como outros amigos que tenho portadores de diplomas e títulos.
A questão crucial não gira em torno da quantidade de conhecimento que temos, mas o que fazemos com o que conhecemos e aprendemos no decorrer da nossa existência. Vivemos inegavelmente numa época em que o valor do ser humano é percebido na maioria das vezes pela quantidade de atributos pertencentes a ele. E por conta disso vamos nos envolvendo numa entorpecente atmosfera de relacionamentos doentios na medida em que assumimos a postura de "parasitas sociais" ao tentarmos apenas "sugar" do outro o que há de melhor, em nossa maneira de avaliar e considerar o valor humano.
Portanto, dentro de uma sociedade religiosa como a que fazemos parte, corremos o grande risco de perdermos o foco do real sentido da nossa própria existência e de todos aqueles que fazem parte de nosso círculo social: família, amigos, vizinhos e irmãos na fé. Usamos em nome de nossa fé (ainda que falha e limitada) os escritos bíblicos e do espírito de profecia como lanças afiadas para mostrar ao resto da humanidade a maneira correta de se viver.
Ou seja, a hipocrisia é, de fato, a moradora oficial do camarim e dos bastidores de nosso coração. Há os que dizem ser um grande pecado usar roupas sensuais, mas no histórico virtual de seus computadores há o registro dos sites pornográficos que são acessados. Há os que dizem ser um grande pecado colocar carne de porco na boca, mas com muita facilidade colocam em seus lábios os nomes de muitas pessoas para falar mal delas. Nosso amigo Freud já dizia o seguinte:
Sob a máscara do esquecimento e do equívoco, invocando como justificação a ausência de más intenções, os homens expressam sentimentos e paixões cuja realidade seria bem melhor, tanto para eles próprios como para os outros, que confessassem a partir do momento em que não estão à altura de os dominar.
Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'
Prezado amigo, prezado irmão, se todos fossem como eu ou como você, para onde caminharia a humanidade? Quero convidá-lo a olhar com o colírio do amor de Deus e de Sua justiça para dentro de si mesmo. Ao fazer isso pensemos no grau de tolerância por nós adotados ao tratarmos com as características, pensamentos, maneira de encarar a vida e limitações dos que nos rodeiam.
Geralmente, quando somos muito rígidos com os erros e falhas dos outros é porque nos bastidores de nossa vida não admitimos ser da maneira que somos, mas precisamos "culpar" alguém por isso. Nos dizemos civilizados. Será que aquilo que chamamos "civiilzação" não é o conjunto de conveniências criadas por nós mesmos no desespero de aliviarmos nossa consciência da realidade de nossa própria essência pecaminosa? Precisamos aprender a sermos francos com a gente mesmo!
Concluo com outra máxima de Freud:
Existem infinitamente mais homens que aceitam a civilização como hipócritas do que homens verdadeiramente e realmente civilizados, e é lícito até perguntarmo-nos se um certo grau de hipocrisia não será necessário à manutenção e à conservação da civilização, dado o reduzido número de homens nos quais a tendência para a vida civilizada se tornou uma propriedade orgânica.
Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'
Deus nos conhece da real maneira que somos! Ele sabe o que vai no mais íntimo de nosso coração. Deus assiste ao "espetáculo" que apresentamos diariamente em nosso viver mas Ele está disposto a ter um encontro diário comigo e com você quando voltamos para o "camarim" e encaramos os verdadeiros bastidores da nossa alma.
Que possamos, eu e você, entregarmos a Cristo os bastidores de nosso coração, afim de não sermos hipócritas, mas genuinamente pecadores dependentes da graça e misericórdia do Pai do Céu.
Maranata!!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Estamos prontos para fazer a diferença?
Uma questão que merece nossa atenção e carinho é: estamos prontos para, de fato, fazermos a diferença na vida de "qualquer pessoa que ainda não conheça o Evangelho"? Quando lemos na Palavra de Deus o "Ide e pregai, fazendo discípulos e batizado-os em nome do Pai, Filho e Espírito Santo" não há antes ou depois do texto uma referência sobre o tipo específico de pessoas a quem devemos pregar e fazer discípulos. Não existe da parte de Deus uma indicação de que apenas pessoas de classe média baixa ou classe média alta devam receber o Evangelho. Ou que latino-americanos devem ser evangelizados mas mulçumanos não.
Tudo bem que estamos colocando em nosso exemplo referências geográficas e sócio-econômicas. Mas não é só isso! Estamos prontos, eu e você, a irmos em direção a TODOS OS QUE CARECEM DA MISERICÓRDIA DE DEUS E DO EVANGELHO afim de fazermos a obra a nós confiada?
Se no próximo sábado pela manhã entrasse em nosso templo um grupo de prostitutas acompanhadas de um grupo de dependentes químicos mais alguns gays, como seria a minha e a tua reação? Que fisionomia se estamparia em nosso rosto e que atitudes demonstraríamos a eles? Talvez a unilateralidade de nossa religião e o gesso dos nossos preconceitos não nos permitiria ser para eles o que Jesus foi a todos os que se aproximavam dEle enquanto desenvolveu Seu ministério terrestre.
Precisamos pensar URGENTEMENTE nesta questão pois, se nossa Igreja não estiver pronta para ir, pregar e fazer discípulos em nome do Pai, Filho e Espírito Santo para os cativos, oprimidos e marginalizados é porque nossa Igreja não tem uma razão para sua existência.
Ser diferente para fazer a diferença significa tratar as pessoas não da maneira como merecem, mas da maneira que Deus nos trata. Aliás, eu e você somos pecadores. Aliás, somos tão pecadores como qualquer outro ser humano. Se nos esquecermos disso, irmãos, é bem capaz de não sermos reconhecidos pelo Pai quando Ele vier, pois "quando fizemos a um destes pequeninos, a Ele o fizemos... E quando deixamos de fazer a um desses pequeninos é a Ele que deixamos também de fazer..."
Que possamos repensar a razão de existir de nossa Igreja. Se não estivermos abertos às pessoas, elas não virão. Se elas não vierem, então é porque não cumprimos nossa missão. E se não cumprimos nossa missão, é melhor que fechemos nossas portas, pois não estaremos conseguindo ser relevantes na comunidade onde estamos inseridos. E se fecharmos nossas portas eles não sentirão nossa falta.
Que possamos abrir cada vez mais as portas de nosso templo e de nosso coração para, de fato, fazermos deste lindo lugar um "lugar de esperança", para honra e glória de nosso Pai.
Maranata!!
Tudo bem que estamos colocando em nosso exemplo referências geográficas e sócio-econômicas. Mas não é só isso! Estamos prontos, eu e você, a irmos em direção a TODOS OS QUE CARECEM DA MISERICÓRDIA DE DEUS E DO EVANGELHO afim de fazermos a obra a nós confiada?
Se no próximo sábado pela manhã entrasse em nosso templo um grupo de prostitutas acompanhadas de um grupo de dependentes químicos mais alguns gays, como seria a minha e a tua reação? Que fisionomia se estamparia em nosso rosto e que atitudes demonstraríamos a eles? Talvez a unilateralidade de nossa religião e o gesso dos nossos preconceitos não nos permitiria ser para eles o que Jesus foi a todos os que se aproximavam dEle enquanto desenvolveu Seu ministério terrestre.
Precisamos pensar URGENTEMENTE nesta questão pois, se nossa Igreja não estiver pronta para ir, pregar e fazer discípulos em nome do Pai, Filho e Espírito Santo para os cativos, oprimidos e marginalizados é porque nossa Igreja não tem uma razão para sua existência.
Ser diferente para fazer a diferença significa tratar as pessoas não da maneira como merecem, mas da maneira que Deus nos trata. Aliás, eu e você somos pecadores. Aliás, somos tão pecadores como qualquer outro ser humano. Se nos esquecermos disso, irmãos, é bem capaz de não sermos reconhecidos pelo Pai quando Ele vier, pois "quando fizemos a um destes pequeninos, a Ele o fizemos... E quando deixamos de fazer a um desses pequeninos é a Ele que deixamos também de fazer..."
Que possamos repensar a razão de existir de nossa Igreja. Se não estivermos abertos às pessoas, elas não virão. Se elas não vierem, então é porque não cumprimos nossa missão. E se não cumprimos nossa missão, é melhor que fechemos nossas portas, pois não estaremos conseguindo ser relevantes na comunidade onde estamos inseridos. E se fecharmos nossas portas eles não sentirão nossa falta.
Que possamos abrir cada vez mais as portas de nosso templo e de nosso coração para, de fato, fazermos deste lindo lugar um "lugar de esperança", para honra e glória de nosso Pai.
Maranata!!
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